Nocast

O Hamas aceitou uma nova proposta dos países mediadores – Egito, Catar e Estados Unidos – para uma trégua com Israel na Faixa de Gaza, que inclui a libertação dos reféns que estão no território palestino.

No Cairo, o diretor dos serviços de inteligência egípcios, Diaa Rashwan, disse ao veículo estatal Al-Qahera News que seu país e o Catar haviam apresentado sua proposta a Israel: “A bola está no campo israelense.”

“O Hamas deu sua resposta, aceitando a nova proposta dos mediadores. Rogamos a Deus para apagar o fogo dessa guerra contra o nosso povo”, publicou nas redes sociais Basem Naim, representante do movimento islamista.

Israel não comentou a proposta de trégua. Na semana passada, o primeiro-ministro Benjamin Netanyahu ressaltou que somente aceitaria um acordo “no qual todos os reféns fossem libertados de uma vez” e que respeitasse suas condições para pôr fim à guerra.

Hamas aceita nova proposta de cessar-fogo em Gaza

Hamas aceita nova proposta de cessar-fogo em Gaza© STRINGER

A nova proposta entregue ao grupo prevê uma trégua inicial de 60 dias e a libertação em duas etapas como prévia de um acordo definitivo, havia antecipado um funcionário palestino nesta segunda-feira. O conflito já dura 22 meses e provocou uma crise humanitária na Faixa de Gaza.

A nova oferta surge mais de uma semana depois de o gabinete de segurança de Israel ter aprovado planos para assumir o controle de Gaza e dos campos de refugiados vizinhos com o objetivo de derrotar o Hamas e libertar os reféns.

– Pressão –

Netanyahu disse hoje que conversou “com o ministro da Defesa e o chefe do Estado-Maior sobre nossos planos para Gaza e o cumprimento de nossas missões”. “O Hamas está sob extrema pressão”, afirmou, sem mencionar a proposta de trégua.

A oferta aceita pelo movimento islamista retoma as linhas gerais de um plano anterior do enviado americano, Steve Witkoff. Segundo uma fonte da Jihad Islâmica, grupo armado que combate com o Hamas, o plano inclui “um acordo de cessar-fogo de 60 dias, durante os quais 10 reféns israelenses serão libertados juntamente com um determinado número de corpos”.Crianças palestinas aguardam para receber comida, em campo de refugiados no centro da Faixa de Gaza

Crianças palestinas aguardam para receber comida, em campo de refugiados no centro da Faixa de Gaza© Eyad BABA

Dos 251 reféns capturados pelo Hamas durante o ataque que desencadeou a guerra, 49 permanecem na Faixa de Gaza, incluindo 27 que teriam morrido, segundo o Exército israelense.

Segundo a fonte da Jihad Islâmica, “os demais reféns serão libertados em uma segunda fase, seguida imediatamente por negociações para um acordo mais amplo” para encerrar de maneira permanente a “guerra e agressão”, com garantias internacionais. “Todas as facções apoiam o que foi apresentado” pelos mediadores egípcios e catarianos, acrescentou.

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, pediu hoje na rede Truth Social a destruição do Hamas como solução para a crise dos reféns. “Somente veremos o retorno dos reféns restantes quando o Hamas for confrontado e destruído! Quanto antes isso acontecer, maiores serão as chances de sucesso.”

O chanceler egípcio, Badr Abdelatty, visitou hoje a passagem de Rafah, na fronteira com a Faixa de Gaza, e disse que o premiê do Catar, Mohamed al-Thani, fazia uma visita ao seu país com o objetivo de “exercer pressão máxima sobre as partes” para que fechem um acordo.

O premiê ressaltou a necessidade urgente de uma solução para o conflito, devido às condições humanitárias dos mais de 2 milhões de habitantes da Faixa de Gaza, que, segundo a ONU e outras organizações, sofrem com a fome.

– Campanha ‘deliberada’ de fome –

O grupo de defesa dos direitos humanos Anistia Internacional acusou hoje Israel de realizar “uma campanha de fome deliberada” na Faixa de Gaza e de destruir “sistematicamente a saúde, o bem-estar e o tecido social” no território palestino. Israel negou afirmações similares anteriores, mas continua limitando significativamente o fluxo de ajuda humanitária na Faixa de Gaza.

O ataque do Hamas que desencadeou o conflito, em outubro de 2023, deixou 1.219 mortos, a maioria civis, segundo um levantamento baseado em números oficiais. A ofensiva de Israel em resposta deixou quase 62 mil palestinos mortos, a maioria civis, segundo números do Ministério da Saúde da Faixa de Gaza, que a ONU considera confiáveis.

By Nocast

Deixe um comentário

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *