Manifestantes vêm denunciando violência policial nos protestos contra o regime Khamenei. Governo iraniano acusou EUA e Israel de ‘semear o caos’ e ameaçou retaliar em caso de interferência.
O número de mortos nos protestos generalizados que tomaram as ruas do Irã há quase duas semanas subiu para 192 neste domingo (11), segundo uma ONG que monitora a situação no país.
O novo balanço de mortes nos protestos contra o governo do aiatolá Ali Khamenei ocorre em meio a denúncias de violência policial feitas por manifestantes. O chefe da polícia do Irã, Ahmad-Reza Radan, afirmou neste domingo que “o nível de confronto contra os manifestantes se intensificou”.
“Desde o início dos protestos, a Iran Human Rights confirmou a morte de pelo menos 192 manifestantes”, afirmou a ONG com sede na Noruega. O número real de mortos pode ser muito maior, já que um corte de internet que dura dias dificulta a verificação, segundo a organização.
O presidente do Irã, Masoud Pezeshkian, pediu neste domingo que a população iraniana mantenha distância do que chamou de “terroristas e badernistas” e tentou buscar uma via de diálogo com os manifestantes. Ao mesmo tempo, Pezeshkian acusou os Estados Unidos e Israel de “semear caos e desordem” no país.
Em meio aos protestos, a Guarda Revolucionária do Irã, um importante ator militar no país e com foco em defender o regime Khamenei, afirmou que proteger a segurança nacional é um ponto inegociável.
Também neste domingo, o governo iraniano ameaçou retaliar contra Israel e bases militares dos EUA no Oriente Médio caso o país seja alvo de um bombardeio norte-americano. A fala ocorre após o presente dos EUA, Donald Trump, ameaçar intervir na crise se o regime matar manifestantes pacíficos.
“Sejamos claros: em caso de ataque ao Irã, os territórios ocupados [Israel], assim como todas as bases e navios dos EUA, serão nossos alvos legítimos”, disse o presidente do parlamento iraniano, Mohammad Bagher Qalibaf, segundo a Reuters.
No sábado, Trump renovou as ameaças ao dizer que o Irã está “buscando a liberdade” e que os norte-americanos estão “prontos para ajudar”. A mídia norte-americana afirmou que Trump está pensando o que fazer em relação ao país do Oriente Médio: segundo o “The New York Times”, ele foi informado por membros de seu governo sobre opções disponíveis para um ataque militar, e segundo o Axios”, ele considera diferentes alternativas para apoiar os manifestantes iranianos.
Pezeshkian também afirmou neste domingo que o governo está pronto para “ouvir seu povo” e está determinado a resolver as questões econômicas.
G1