Daniel Vorcaro passou a frequentar mais o Banco Central a partir de 2024, ano que marca o início das investigações sobre o Master.
Oito sócios, executivos e ex-administradores do Banco Master, do Banco Pleno e do Will Bank entraram pelo menos 73 vezes no Banco Central (BC) de janeiro de 2020 a outubro de 2025, mostra levantamento da coluna. A autoridade monetária decretou a liquidação extrajudicial dessas e de mais seis instituições por suspeitas de fraudes financeiras e contábeis, entre outras irregularidades.
Os dados apontam não só para os padrões de movimentação dos envolvidos, mas também para a coordenação orquestrada ao se dividirem em três grupos para participar de agendas. Trata-se de diferentes atuações em conjunto ao longo de 6 anos em três unidades do BC.
A coluna obteve os registros de entradas no BC via Lei de Acesso à Informação (LAI). A reportagem contabilizou cada um deles separadamente, ainda que dois ou mais sócios, executivos e ex-administradores estivessem na mesma reunião.
O BC não forneceu, no entanto, os detalhes sobre os gabinetes visitados. Há apenas anotações de entrada nos prédios da autoridade monetária em Brasília, em São Paulo e no Rio de Janeiro. O levantamento não inclui, portanto, agendas nas quais os envolvidos participaram remotamente.
Desde 2024, houve uma transição que pode ser considerada estratégica: as reuniões na sede, em Brasília, se tornaram mais frequentes, em detrimento da unidade em São Paulo – a alta cúpula do BC costuma despachar na capital federal. Foi assim com a dupla Vorcaro-Guga.
Ex-administradores do Banco Master, Maurício Antonio Quadrado – a quem o BC vetou de comprar o Letsbank, também liquidado – e Reinaldo Hossepian Salles Lima despontaram como um novo núcleo de atuação em São Paulo, onde visitaram a unidade da instituição em abril e agosto do ano passado. O também ex-controlador Roberto Musto esteve na primeira delas.
Um dos cofundadores do Will Bank, Walter Piana foi pelo menos 10 vezes ao BC – três vezes menos que Vorcaro, a título de comparação. Logo atrás, vêm o irmão e sócio do empresário, Giovanni Piana, e Augusto Lima. Cada um deles teve nove agendas na autarquia federal.
Só que oito dessas visitas dos irmãos Piana ocorreram em conjunto com o ex-diretor do Will Bank Felipe Felix Soares de Sousa nos três prédios de 2020 a 2024. Dessa forma, é como se São Paulo atuasse como centro de manutenção operacional e Brasília fosse palco de negociações de alto impacto, sobretudo lideradas por Vorcaro e Guga.
O dono do Banco Master está preso em uma cela comum na Superintendência da PF em Brasília desde quinta-feira (19/3), numa transferência coordenada para o início da delação premiada. Antes, estava numa penitenciária de segurança máxima também na capital federal.

Essa é a segunda prisão do dono do Banco Master. Além dele, a PF prendeu Augusto Lima em novembro passado na primeira fase da Operação Compliance Zero. Ambos foram soltos dias depois sob medidas cautelares, como o uso de tornozeleira eletrônica e a proibição de entrar em contato com outros investigados. Os outros seis citados não foram alvo da corporação até o momento.
Metrópoles